Novela - Marina! Capitulo 2 - Amor e Saudade

Novela - Marina! Capitulo 2

Escrito por Diana Polizzo | 795
Novela - Marina! Capitulo 2



O domingo mal começara e mamãe já estava na porta do quarto, exigindo que me levantasse e a ajudasse a arrumar a casa. Eu detestava esse dia. Gostaria que ela entendesse o quanto era cansativo para mim, trabalhar a semana inteira. Descansar no final de semana seria um belo prêmio pelo esforço.

Meu quarto era o jardim do Éden. Quando iniciei os trabalhos na construtora, destinava parte do meu salário algumas pequenas regalias no meu jardim, como um computador de última geração, processador ultra veloz, poltrona acolchoada, bibelôs, mobiles, coisinhas cutes, etc. Mamãe não gostava muito: Achava que eu gastava muito com besteiras, ao invés de providenciar coisas para casa. Não importava o esforço que fazia, ela sempre achava que estava aquém do que eu deveria fazer. Tínhamos um relacionamento difícil; Preferia mil vezes permanecer dentro do meu quarto para evitar atritos com ela.

Levante cedo – acordada por ela, e fui até o mercado comprar pão. Minha aparência, nesses momentos, não eram as das melhores: Juntei o meu cabelo de qualquer forma, no alto da cabeça e caprichei nos chinelos e conjunto de moletom. Saí de casa com toda a tranquilidade e segurança do mundo.

Chegando a padaria deparei-me com muitos fregueses, também descompromissados com a sua aparência. Pedi seis pães franceses e um litro de leite à um senhor que estava no caixa: Ele me deu a nota fiscal para que eu me dirigisse ao balcão. Aguardei alguns minutos até que a atendente me entregasse o leite. E mais alguns minutos para que ela separasse os seis pães, que estavam em uma grande cesta; colocasse dentro do saco de papel e me entregasse. Uma mão fria e pálida surgiu repentinamente, tentando alcançar o mesmo saco de pão que o meu. Virei para o lado e ne surpreendi: Era Bruno.

Minhas pernas ficarão trêmulas. Demorei alguns segundos para decidir o que fazer – e esses segundos levaram horas. Senti frio e calor como uma geladeira no meio do deserto.

- Pode ficar...! – Bruno disse, com um sorriso no rosto.

- Ma... ma... e... e...

- Tranquilo!

Outro atendente lhe entregou um saco de pães. Ele virou as costas e foi embora, com um sublime e malandro jeito de andar. E eu fiquei. Ainda incrédula.

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