Longe de casa longe dos pais! Capitulo 30 - Amor e Saudade

Longe de casa longe dos pais! Capitulo 30

Escrito por Diana Polizzo | 709
Longe de casa longe dos pais! Capitulo 30


Cheguei ao aeroporto de Guarulhos às treze horas e peguei um táxi até Anália Franco. O taxista me ajudou a pôr as bagagens dentro do porta-malas.
Entrei no carro, e o motorista deu partida. Durante o percurso, tive uma leve sensação de nostalgia. O ambiente, que antes era grandioso e desconhecido, de repente, ganhou ares de cidade pequena. Quando se explora o mundo, nunca voltamos com a mesma visão de antes.
Papai e mamãe já haviam ligado. Estavam ansiosos, aguardando a minha chegada. Chegaria em casa, tomaria um banho, e deitaria em minha velha cama. Seguiria minha vida como antes: Voltaria para faculdade, arrumaria outro emprego, namoraria, casaria, e esqueceria completamente desse lance de ser atriz.
Em pouco mais de uma hora, cheguei ao destino final. O taxista estacionou em frente à minha casa. Ainda podia ver as flores que mamãe cultivava na sacada da janela. Eles, provavelmente, já estavam à minha espera.
- Trinta e cinco e noventa, moça!
Abri a carteira. Havia uma nota de vinte, outra de dez e de cinco. Faltavam os noventa centavos. No bolsinho da carteira, achei cinquenta centavos. Faltavam quarenta.
- Posso ficar te devendo quarenta, senhor?
Ele pareceu irredutível. “Que merda!” – pensei. “O cara não pode ficar sem quarenta centavos?”. Abri a mochila que estava comigo. Garimpei, em meio às roupas e lingeries, até que encontrei um pedaço de papel, dobrado por entre as roupas. Abri para ver o que era. O texto, organizado em versos, era manuscrito.


“Para realmente amar uma mulher (...) Para entendê-la; Você deve conhecê-la por dentro; Ouvir cada pensamento; Ver cada sonho; E dar-lhe asas quando ela quiser voar; E quando se vir impotente nos braços dela; Você saberá que realmente ama uma mulher
Quando você ama uma mulher; Diz a ela o quanto é desejada; Quando você ama uma mulher; Diz a ela que ela é única; Ela precisa de alguém pra dizer-lhe que durará pra sempre; Apenas me diga você realmente; De verdade, já amou uma mulher?
Para realmente amar uma mulher; Deixe que ela te abrace; Até você saber como ela precisa ser tocada; Você tem de respirá-la, tem de sentir seu gosto; Até senti-la em seu sangue; E quando vir seus futuros filhos nos olhos dela; Você saberá que realmente ama uma mulher. (...)”
Agora que já sei a tradução da sua música favorita, posso dizer que também é a minha música favorita...
Alessandra.


_____


Lembrei-me de quando Alê me disse que, para enxergar determinadas coisas, era preciso passar por situações difíceis. E quando eu disse à banca que, existem pessoas que nunca saiam de seus personagens. Eles me disseram que, antes de tudo, eu deveria aprender a captar minha própria subjetividade.
A carta de Alê foi a peça essencial para montar o gigante quebra-cabeças de emoções em meu interior. Alessandra me amava. E eu tentei fugir de todas as formas possíveis porque, de certa forma, não conseguia aceitar que também poderia amar outra garota. Usei o relacionamento encenado de Alê com Junior para justificar minha saída de cena. Mas a verdade é que também amo. E agora tenho a certeza que não quero guardar todo o momento que vivenciamos em uma área desconhecida de minha memória.

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