Longe de casa longe dos pais! Capitulo 27 - Amor e Saudade

Longe de casa longe dos pais! Capitulo 27

Escrito por Diana Polizzo | 775
Longe de casa longe dos pais! Capitulo 27


Era o início de uma deliciosa tarde de outono. Apesar do sol, brilhante, e das nuvens brancas como algodão, senti frio. Cheguei ao apartamento, joguei a bolsa no sofá e corri para o quarto. Tentava me livrar a qualquer custo dos sapatos de salto, que teimavam em permanecer no meu pé.
As cortinas estavam fechadas, bloqueando a entrada de luz. O quarto permanecia bagunçado: Edredons sobre a cama, tapetes revirados, meias perdidas durante a noite, e o colchonete de Alê. Tudo permanecia estrategicamente posicionado, delicioso e aconchegante, para confortar minha imensa dor. Chorava, um choro preso, acumulado de meses e meses. Fechei a porta para que Alê não me visse. Mas ela me viu, e abandonou o feijão e o frango que ferviam na panela. Veio correndo até o quarto.
Solucei, e senti dor de cabeça. Não conseguia falar. Alê me observava, de longe. Quando parei de chorar, ela me trouxe um copo de água e um comprimido. Engoli com um gole de agua. Dormi e só acordei durante a noite. Quando acordei, ainda letárgica, senti o seu corpo quente ao meu lado. Não sabia onde terminava meu corpo e onde começava o dela. Parecíamos uma só pessoa. Dormi de novo, e acordei de manhã.
Ela estava ao meu lado, acariciando meus braços. Minha cabeça estava sobre o seu colo. Podia sentir a expansão de seu tórax.
- Sei que me acha uma fracassada... – disse, em voz baixa.
Alê saiu debaixo de mim, posicionando-se na mesma altura que eu. Olhou em meus olhos.
- Tenho orgulho de você...
- Mentira! Sou uma garota boba, deslumbrada, que bateu o pé e acabou quebrando a cara...
- Nem tudo acontece da forma que a gente deseja, Clara... Ás vezes, precisamos passar por algumas situações para conseguir enxergar coisas que nos recusamos a ver!
- Meus pais... Sempre quiseram me proteger! Mas eu me recusei a enxergar o amor que eles sentiam, e sentem por mim...
- Sim! Tenho certeza que, apesar de tudo, eles só queriam o seu bem!
Alê segurou forte a minha mão. Então, pude perceber a quanto eu tivera a sorte de vir para o Rio e, encontrar, em meu caminho, uma pessoa na qual eu nada sabia, mas que me protegeu e acolheu nos momentos difíceis.
A campainha tocou. Alê tentou levantar, mas eu a impedi. Queria que deixasse tocar. Ela retirou o meu braço de sua cintura, levantando em seguida. Ouvi seus passos no corredor, e o som da porta se abrindo.
- E aí, Alessandra?
Seguiu-se um pequeno estalo, como um beijo. Era Júnior. Do quarto, eu ouvi tudo.

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