Longe de casa longe dos pais! Capitulo 26 - Amor e Saudade

Longe de casa longe dos pais! Capitulo 26

Escrito por Diana Polizzo | 687
Longe de casa longe dos pais! Capitulo 26


Senti vergonha. Vergonha de voltar ao apartamento e encontrar Alê. Vergonha de voltar ao trabalho, de voltar para casa. Queria sumir, desaparecer da face da terra. Tinha certeza que ninguém daria falta de mim.
Voltei pra o apartamento, alheio a tudo que acontecia a meu redor. Sabia que amanhã teria que acordar cedo, me arrumar e me colocar como uma profissional altamente capacitada. Acatar ordens, sem ter minha própria voz. E tentar ser uma pessoa perfeita, correta.
Já era noite quando cheguei ao apartamento. Alé já tinha saído. Ainda podia sentir o seu perfume pelo ambiente. A esponja úmida, no banheiro, as gotinhas de água escorrendo pelo box. Chorei, pois me sentia um fracasso. Queria que Alê sentisse orgulho de mim.
Tomei dois analgésicos e dormi profundamente. Quando acordei, Alê dormia, em um colchonete ao lado da minha cama. Tentei não acordá-la. Me arrumei e, não tomei café. Saí com fome, para evitar que ela acordasse (e me fizesse alguma pergunta à respeito da seleção).
Quando cheguei ao trabalho, Virginia me esperava. Tinha a impressão de que sentia um prazer mórbido. Eu tinha faltado ao dia anterior, sem dar explicações. Alexandre certamente pediria minha demissão.
- Alexandre quer falar com você...
Senti raiva. Aquela mulher nunca me ajudava. Passava maior parte do tempo falando com alguma amiga no telefone, ou teclando em alguma rede social, enquanto eu passava o dia inteiro realizando tarefas. Saía depois do horário previsto, e eu, muitas vezes, abdicava de meu horário de almoço para realizar tarefas externas. Queria colocar os pingos nos “is” com aqueles dois.
- Quer falar comigo? Ok. Então venha comigo... Pois também quero falar, não só com ele, mas com você também!
Entrei na sala bruscamente. Virginia me seguiu. Acho que queria ser o circo pegar fogo. Alexandre e aguardava em sua sala. Assustou-se quando entrei, de forma decidida, acompanhada da cobra da Virgínia.
- O senhor que falar comigo, não é?
- Sim!
- Então fale!
Ele se levantou da cadeira, nervoso. Aumentou o tom de voz.
- Com quem pensa que está falando?
- Nesses últimos meses eu tenho realizado muitas tarefas ao senhor. Digitações, relatórios, atas, saídas para ir ao banco, ao cartório, ao fórum... Deixo de almoçar para “cumprir com as SUAS responsabilidades” e saio daqui duas a três horas além do previsto sem receber por isso. Sem contar o salário, que está muito abaixo da categoria, além dos benefícios que eu não recebi até agora... E essa mulher? Não faz porra nenhuma! Não me ajuda em nada! Passa o tempo inteiro no telefone, na internet, resolvendo problemas pessoais, joga todas as suas tarefas nas minhas costas e ainda sai como a responsável da história. Eu já me cansei desse lugar! Eu quero ir embora! EU ESTOU ME DEMITINDO!

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