Longe de casa longe dos pais! Capitulo 24 - Amor e Saudade

Longe de casa longe dos pais! Capitulo 24

Escrito por Diana Polizzo | 539
Longe de casa longe dos pais! Capitulo 24


Acordei, sem muita vontade de encarar a realidade. Queria continuar dormindo para sempre. O relógio na parede apontava sete horas. Eu não sabia onde estava - se estava perto, se estava longe. Mas tinha certeza que chegaria atrasada no escritório.
Fechei os olhos, e acabei pegando no sono novamente. Quando acordei, eram quase nove horas. Levantei, contra a minha vontade, coloquei a roupa, de qualquer jeito e sai. Não escovei os dentes, nem penteei os cabelos. E não me preocupei em como estaria minha aparência Paguei a conta do motel e tomei um ônibus até o centro da cidade.
No caminho do ponto de ônibus até o escritório, olhei meu rosto pelo vidro do carro estacionado na calçada. Estava horrível! Meu rosto estava completamente abatido. Meu cabelo, seco, quebradiço e despenteado. Imaginei a cara dos outros funcionários a me ver entrando daquele jeito.
Quando cheguei no escritório, Virgínia estava sentada em sua mesa, usando o computador. Me olhou com cara de reprovação, mas não me preocupei. Seitei em minha mesa, abri a bolsa, e espalhei vários objetos pela mesa. Peguei o celular: Não havia nenhuma chamada perdida. Alê não tinha me ligado. Senti um enorme vazio.
- O Alexandre quer falar com você... – Virgínia praticamente me arrancou de minhas próprias reflexões.
Levantei da cadeira, sentindo muita dor pelo corpo. Desejei imensamente a minha cama. Na sala principal, Alexandre me aguardava. Não esperou nem que me acomodasse.
- Que horas chegou ao escritório, Clara?
Sentei na cadeira acolchoada. Por incrível que pareça não me preocupei com a situação.
- Por volta das nove, Alexandre...
- Não. Eu cheguei aqui exatamente às dez. Então, você não chegou às nove horas...
Peço desculpas então... Tive alguns problemas ontem, e acabei perdendo a hora!
Alexandre respirou fundo.
- Eu tenho muitos problemas. Eu tenho um emprego a manter, uma equipe a gerenciar, um trabalho a ser executado, uma família a ser mantida. E chego todos os dias no horário. Não acredito que uma garota como você, que tem menos da metade da minha idade e nenhuma responsabilidade não consiga chegar aqui às oito horas em ponto!
- Não é preciso chegar a sua idade para começar a ter problemas...
Alexandre pareceu irritado. Desviou o olhar para a mesa.
- Existem milhares de garotas que desejariam o seu emprego. Então você poderá optar. O seu emprego, ou os seus problemas...!
O meu desinteresse pelo mundo deu lugar à uma grande irritação. Tive vontade de falar sobre as horas extras não pagas, os horários de almoço não reservados e a falta de divisão de tarefas entre Virgínia e eu. Mas permaneci quieta.
- Ok... O que deseja que eu faça agora?
- Vá ao cartório e autentique os documentos que estão nesta pasta... E não se esqueça de tirar uma fotocópia de cada uma delas.
Saí da sala de Alexandre, carregando a pasta comigo. Na antessala, Virgínia falava ao telefone. Pelo tom informal de voz, provavelmente deveria estar falando com algum familiar ou amigo. Atravessei a antessala, abri a porta e segui pelo corredor. Ao longo do trajeto, cruzei com alguns funcionários. Todos elegantemente vestidos, cumprindo o papel de profissionais competentes, como marionetes. Então, parei subitamente ao cruzar com mais um funcionário altamente capacitado:
- Puta merda! A audição para a escola de teatro é semana que vem! – falei, em voz alta.

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