Longe de casa longe dos pais! Capitulo 23 - Amor e Saudade

Longe de casa longe dos pais! Capitulo 23

Escrito por Diana Polizzo | 789
Longe de casa longe dos pais! Capitulo 23


- Quer dizer que a minha paulistinha conseguiu um trampo aqui no Rio...?
Sorri, um pouco encabulada.
- Não é nenhum emprego dos sonhos, mas dá para bancar meus gastos...
- O pessoal tá te tratando bem?
- Que nada... O chefe me enche de tarefas o tempo inteiro... E a outra secretária não me ajuda em nada! Ás vezes chego a sair de lá oito horas da noite, como hoje...
- E qual é seu horário normal?
- Das 8 às 16...
Vitor levou um susto.
- Você permanece quatro horas além do seu horário? Eu imagino que deve receber um extra, não é?
- Não sei... O chefe não diz nada sobre isso...
Ele riu.
- Isso é contra a lei, você sabia?
- O que? – disse, um pouco distraída.
- Permanecer no trabalho além do horário proposto sem receber por isso...
- É...?
Ficamos em silêncio por alguns minutos.
- Está triste? – ele perguntou.
- Não...
- Está pensativa, cabisbaixa...
- Estou um pouco cansada, só isso...
- Não quer beber uma caipirinha, pra relaxar... Naquele dia você odiou, não é?
- Não... Não tô a fim de beber hoje...
- Quer que eu te leve pra casa?
Não queria voltar para o apartamento em hipótese alguma.
- Não! Está bom assim...
Ficamos em silêncio por mais alguns minutos. Mesmo com a cabeça baixa, percebi que Vitor me observava. Tentei puxar conversa.
- E aí, o que você faz?
- Eu? Sou contabilista... Trabalho em uma empresa aqui perto...
- Legal... Nunca se envolveu com ninguém?
Ele gaguejou, antes de responder.
- Já fui casado, mas me divorciei... Ela era muito ciumenta...
- E o que ela fez que te irritou?
- Ah... sei lá... – ele gaguejou um pouco mais – ficava me ligando...
- Só isso?
- Ah... Também vivia olhando meu celular toda hora para ver se tinha mensagem...
- Sei...
Não sei o porquê, mas não acreditei naquela história.
- Você é casado, não é?
Ele me olhou assustado. Não conseguia manter os talheres firmes em suas mãos. Riu, nervoso:
- Você é bem esperta, né...
- Chega uma hora que a gente acaba se imunizando contra as ladainhas masculinas. – disse, secamente.
Conversamos por mais algumas horas. O teor da conversa mudou repentinamente. Dessa vez, Vitor já não falava como um príncipe encantado tentando impressionar sua princesa. Falava como um Don Juan convicto, sem rodeios. Pediu a conta ao garçom e pagou toda a despesa. E rapidamente, seguimos para o motel mais próximo.
Quando chegamos, pedi à ele que aguardasse alguns minutos. Entrei no banheiro e me olhei no espelho. Não tinha a menor vontade de transar com ele, mas, por outro lado, não queria voltar para casa. Sentia muita raiva, sentia-me como uma idiota. Sentia-me traída, enganada, boba e ingênua. Não acreditava em ninguém. Chorei, até me dar conta de que havia um homem do lado de fora.
- Querida... está tudo bem?
Vitor, me chamando de “querida” me irritou ainda mais. Durante o jantar, ele não havia sequer me chamado pelo nome. Tinha a impressão de que se esquecera. Eu era apenas a boba dos contatos telefônicos que topara sair com ele. Lavei o rosto, respirei fundo, e sai do banheiro. Entusiasmado, Vitor me puxou pela cintura. Parecia um animal feroz à espera de sua presa. Violentamente, me jogou em cima da cama, percorrendo seus lábios em meu púbis.
Fechei os olhos, refletindo em tudo que acontecera até então. Por que Alê levou aquele cara (sendo Júnior ou não) para o nosso apartamento? Se for uma tentativa de me provocar, por que estava gostando? Alê sempre foi tão fria com Júnior...
As carícias de Vítor não me provocaram uma excitação sequer.
- Vítor... – Segurei fortemente sua cabeça. – Me desculpe... Eu não quero mais...
Ele parecia não acreditar no que acabara de ouvir.
- Dei a entender que estava a fim, mas não estou... Não quero continuar. Espero que você entenda.
- Está falando sério?
- Sim, estou!
Ele se levantou, levantando o zíper da calça. Estava visivelmente irritado.
- Me fez gastar toda essa grana com jantar pra no final dizer que não quer mais?
- Quer que eu devolva? Sim, por que... Deve ser muito caro convencer uma bobona à ir pra cama com você, não é?
Vítor vestiu a camisa, irritado.
- Sua vagabunda!
Pegou suas coisas e saiu. Virei para o lado e dormi, certa de que teria que pagar a diária do motel no outro dia.

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