Longe de casa longe dos pais! Capitulo 21 - Amor e Saudade

Longe de casa longe dos pais! Capitulo 21

Escrito por Diana Polizzo | 519
Longe de casa longe dos pais! Capitulo 21


A rotina no escritório era muito cansativa. Alexandre me designava inúmeras tarefas, que sempre tinha prazos muito curtos para o término. E Virgínia, a outra secretária não fazia absolutamente nada (além de não me ajudar)... Saía às 16h, enquanto eu permanecia no escritório, até finalizar os trabalhos.
Alê me ligava na hora do almoço. Porém, não conseguia atender o celular. Estava sempre muito ocupada, tentando adiantar o máximo que podia para sair cedo. Sentia falta de uma boa comida; Meu almoço era quase sempre uma xícara de café ou uma fast food... Quando chegava em casa, às 22h, ela ainda não havia chegado da faculdade. Então, passamos a nos falar bem menos. Às vezes, ela acordava cedo e preparava o café da manhã para mim.
Ir e voltar para casa também virou um pesadelo. Quando ia de trem, passava horas na estação à espera de um vagão vazio. Quando ia de ônibus, enfrentava um engarrafamento quilométrico. Se tivesse muita sorte, conseguia um assento no ônibus. Esses momentos me traziam uma felicidade imensa no meio de tanto transtorno!
Um dia, voltando para casa à noite, recebi uma ligação.
- Alô? – disse.
- Oi... Clara? – uma voz masculina respondeu.
- Quem está falando?
- Não se lembra de mim...? Vítor... O cara que você conheceu na Lapa!
Eu já havia me esquecido de Vítor. Mas, pelo visto, ela não se esquecera de mim.
- Como vai, Vítor? – Tentei demonstrar interesse.
- Muito bem (...). E você? Já está atuando em uma grande companhia de teatro?
Não gostei da ironia.
- Não... Estou trabalhando.
Tive que contar todos os detalhes do novo emprego à Vítor.
- E que horas você sai do trabalho? – ele perguntou.
- Geralmente, às oito...
- Posso te levar pra jantar?
Não estava com vontade de sair com Vítor.
- Não sei... Tenho medo de sair mais tarde e te deixar esperando...
- Não tem problema... Me dá um toque no celular quando estiver de saída...

Despedi-me de Vítor e desliguei o telefone. Cheguei em casa, tomei um banho e fui direto para a cama. No dia seguinte, levantei, cedo, sob o toque escandaloso do despertador. Antes de me arrumar, fui para a cozinha e preparei o café. Alê não havia feito nada para mim. Alguns minutos depois, ela levantou. A pele, rosada, cheia de marcas de travesseiro.
- Desculpe... Não preparei o seu café... - disse, cobrindo a boca com a mão.
- Você não tem obrigação de preparar o meu café, Alê...!
Coloquei duas xícaras em cima da mesa. Sentamos em volta da mesa, enquanto a servia.
- Vi que você me ligou ontem... Tem tanta coisa pra fazer que não consigui parar para falar com você... – disse à Alê.
- Tudo bem. Só queria saber como você estava.
Ficamos em silêncio por longos minutos. Queria puxar assunto, mas não tinha o que dizer.
- Pensei em retornar a sua ligação quando sai do trabalho, mas o Vítor me ligou...
Alê me olhou assustada. O rosto sereno deu lugar à outra expressão.
- Quem é Vítor?
- O cara que eu conheci naquele dia, em que fomos à Lapa. – respondi, tomando consciência da grande besteira que fiz em ter tocado no assunto.
- Você está saindo com ele? – perguntou Alê, mais irritada ainda.
- Não... (...)
- Deixe de ser boba...! Essa cara não quer nada com você!
- Mas eu não...(...)
- Esses caras só pensam em sexo! Passam a sexta-feira inteira tentando conseguir uma garota para passar a noite!
Fiquei surpresa com o comportamento infantil de Alê. Tinha a certeza que não dei a entender que estava interessada no cara.
- Mas peraí, Alê... (...)
- E você, ou está caindo como um patinho, ou está gostando de passar a noite com um cara a cada final de semana...! Nunca pensei que fosse desse tipo de garota!
Me irritei com o comentário de Alê.
- Cala a boca! Já estou cansada de ver você julgando meu comportamento. Vá viver a sua vida, porra! Me deixa em paz!
Alê engoliu seco. Levantou da mesa e foi para o quarto.

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