Longe de casa longe dos pais! Capitulo 20 - Amor e Saudade

Longe de casa longe dos pais! Capitulo 20

Escrito por Diana Polizzo | 622
Longe de casa longe dos pais! Capitulo 20


Às 11h da manhã, o tal Sr. Alexandre entrou na antessala. Aparentava ter pouco mais de cinquenta anos. Vestido com um terno na cor cinza era alto e muito atraente. Assustou-se quando me viu.
- Quem é você?
- Sou Cla...
Virgínia interrompeu a minha fala. Levantou-se rapidamente de sua cadeira, com um grande sorriso no rosto.
- É a nova auxiliar, Seu Alexandre! Está começando hoje!
Alexandre tranquilizou-se. Entrou para a sua sala, seguido por Virgínia. Parecia um cachorrinho balançando a cauda para o seu dono. Continuei sem saber o que fazer. Alguns minutos mais tarde, Virgínia saiu da sala. Dirigiu-se a mim, sem o seu contentamento de minutos atrás.
- O chefe pediu para você entrar...
Levantei como em um pulo. Já não queria ficar sentada naquela cadeira, sem ter o que fazer. Quando entrei na sala de Alexandre, levei um grande susto. Nunca tinha visto uma sala tão grande e bonita! O carpete no piso, as obras na parede, esculturas, cor, decoração. Me senti como uma criatura miserável do mundo diante de tanto luxo.
Alexandre, em sua cadeira presidencial, me aguardava. Atrás dele, uma enorme vista para a Baía de Guanabara. Estávamos no 15º andar. Senti um frio no estômago. Ele sinalizou para que eu sentasse. Então, me acomodei na cadeira, acolchoada e muito confortável.
- Qual o seu nome, menina?
- Clara... – disse, amedrontada.
- E quais foram as suas experiências anteriores?
Tive a sensação de estar sendo entrevistada novamente.
- Fui vendedora, e comecei o curso de Administração em uma faculdade lá em São Paulo...
- E por que interrompeu o curso?
- Por que queria vir para o Rio. Quero fazer um curso de teatro.
- Teatro? – Alexandre me olhou, surpreso.
- Sim... Sempre tive o sonho de fazer teatro e... (...)
Eu tive a impressão que Alexandre estava insatisfeito com a minha história de vida. Tinha certeza que seu pensamento, naquele momento, era: “Que menina idiota!”. Encerrei a história o mais rápido possível. E ele não fez nenhum comentário à respeito.
- A Free Airlines é uma empresa que atua na área da aviação civil, e está há trinta e cinco anos no mercado. A sede está localizada nos Estados Unidos... Já temos filiais em dezessete países... (...) Você vai perceber que aqui, priorizamos pessoas comprometidas com o trabalho e com vontade de crescer... Ofereceremos muitas oportunidades para nossos colaboradores... Várias pessoas que ocupam o cargo de chefia começaram como você, em um cargo de auxiliar (...) - Alexandre enchia a bola da empresa.
- Bem, para começar, vou pedir para você digitar dois relatórios que precisam ser entregues até às 19 horas para o Diretor Geral... Aqui estão os manuscritos...
Assustei-me com os tais manuscritos. Eram praticamente dois tijolos. Ele dava diversas instruções, sem nenhuma pausa. Tentei memorizar todas, porém, tinha a certeza que esqueceria alguma coisa.
- (...) e depois, entregue tudo ao Jorge, da Contabilidade. Entendeu?
- Sim, mas... O meu computador não está ligando!
Alexandre me olhou como se eu tivesse dito alguma besteira.
- Ligue para o setor de Informática, ora!

___

Passei todo o horário do almoço tentando entrar em contato com o setor de Informática. Ás 13 horas, um rapaz apareceu na antessala, e consertou o computador. Quanto finalmente comecei a digitar o relatório, recebi uma mensagem de texto de Alê, mas não pude responder. As horas passaram-se rapidamente e, quando olhei o relógio, já eram 18h. Não almocei, não lanchei... Saí do escritório às 20h.

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