Longe de casa longe dos pais! Capitulo 19 - Amor e Saudade

Longe de casa longe dos pais! Capitulo 19

Escrito por Diana Polizzo | 554
Longe de casa longe dos pais! Capitulo 19


O processo de admissão no novo emprego não demorou muito. Cláudia, a recrutadora, pediu para que eu entregasse os documentos no dia seguinte à seleção. Neste mesmo dia, fiz o exame médico e abertura de conta corrente. O trabalho começaria na segunda. Cheguei em casa à tardinha, morta, cansada, e cheia de fome. Tomei um banho e fui direto para a cama.
Apesar de o cansaço ser grande, não consegui dormir. Revirei-me de um lado para o outro, na tentativa de achar uma posição confortável. Estava muito ansiosa em começar o novo trabalho. Após alguns minutos, percebi que a porta do quarto se abriu. Era Alê. Fechei os olhos, fingindo que dormia.
Alê entrou no quarto, sentou na cama e acariciou os meus cabelos. No dia anterior, após as entrevistas e o telefonema da recrutadora informando que eu havia passado, contei tudo à ela, secamente. Ela ficou feliz por eu ter conseguido, mesmo que a gente não estivesse nos falando direito. Enquanto Alê me acariciava, abri os meus olhos. Ela olhava para mim.
- Fiz a janta pra você... – disse.
O cansaço diminuiu, misteriosamente. Sentia apenas uma sensação completa de relaxamento, pelos dedos de Alê enroscados em meus cabelos.
- Obrigada... – eu disse, em baixo tom de voz.
Ela deitou-se comigo. Tivemos que nos aproximar, já que a cama era de solteiro. Ela me abraçou.
- Parabéns pelo novo emprego...- disse, com o rosto próximo ao meu. Seus lábios estavam úmidos e rosados.
Sorri. Uma sensação de felicidade tomou o meu peito. Senti minha respiração mais rápida que o normal. Queria abraça-la, beijá-la... Mas não tomei nenhuma atitude. Levantei da cama e jantei. E depois me arrependi.


____

Cheguei ao escritório da Free Airlines com uma hora de antecedência. A mulher do Departamento Pessoal me entregou dois conjuntos de calças e blazers, com a logomarca da empresa. Fui ao banheiro e me troquei: O uniforme teve um ótimo caimento, e me deixou bem elegante. Ajeitei os cabelos, me maquiei e coloquei os sapatos pretos de salto.
Do lado de fora, outra mulher me aguardava. Foi encarregada de me levar até o local de trabalho. O ambiente era requintado, bem decorado e com iluminação fria. Os funcionários estavam vestidos elegantemente, porém, tive a impressão que não interagiam entre si. Eram todos sérios; cruzavam-se pelos corredores de não davam um “bom dia” sequer. Chegamos ao Departamento de Compras da empresa.
- É aqui que você vai ficar! – disse a mulher que me acompanhava.
Ela empurrou uma moderna porta de vidro e entrou na sala, dando passagem para mim. A antessala era impecavelmente decorada, cheia de pinturas e flores. Os estofados, de couro combinavam perfeitamente com os tampos de vidro das mesas. Havia duas mesas e duas cadeiras, uma disposta ao lado da outra: Uma estava vazia, a outra, cheia de papéis, pesos de papel, bibelôs e uma xícara de café.
- Esta será a sua mesa. – a mulher apontou para a mesa vazia. – A outra é da Virgínia.
Olhei para a mulher, com expressão interrogativa.
- Virgínia é a outra auxiliar... Vocês trabalharão juntas!
Uma mulher de meia idade saiu da pala principal. Usava um uniforme semelhante ao meu. Deduzi que seria a tal Virgínia.
- O Alexandre, gerente de compras, já deve estar chegando. Ele vai conversar melhor com você! – disse a minha “guia”, empurrando novamente a porta na qual tinha entrado. E foi embora.
Fiquei sozinha com a Virgínia. E aborrecida, pelo fato da “guia” não ter me apresentado à ninguém. Nem ao menos se despediu. Virgínia também parecia mal educada. Entrou na sala e sentou em sua mesa, sem ter me cumprimentado. Fiquei parada no meio da sala, igual à uma idiota.
- Bom dia...- disse à outra mulher, receosa. – O que posso começar a fazer?
Virgínia mexia em seu computador. Respondeu a minha pergunta, sem olhar para mim.
- Tem que esperar o chefe chegar!
- O chefe é o Sr. Alexandre, certo?
- É!
Sentei em minha mesa, ainda vazia. Havia um computador. Resolvi ligá-lo, mas o monitor não funcionava.
- Meu computador não está ligando...
Virginia continuava entretida em seus afazeres, sem me dar atenção.

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