Longe de casa longe dos pais! Capitulo 18 - Amor e Saudade

Longe de casa longe dos pais! Capitulo 18

Escrito por Diana Polizzo | 636
Longe de casa longe dos pais! Capitulo 18


Acordei um pouco antes do horário. Tomei banho, engoli qualquer coisa e saí. Alê dormia, no sofá. Queria poder lhe contar tudo...
Peguei o trem na estação do bairro e, em mais ou menos uma hora cheguei a Central do Brasil. Com informações de ambulantes e jornaleiros (às vezes tenho a impressão que esses caras detestam dar informações) cheguei ao endereço marcado. Encontrei duas garotas no elevador, todas bem vestidas, de salto, e tudo. Torci para que não estivessem concorrendo à mesma vaga que eu. Mas estavam.
Cheguei até a sala informada. Toquei a campainha, bati na porta, mas ninguém atendeu. Então, abri a porta. A sala era enorme, e estava cheio de garotas, todas bem vestidas, arrumadas, com envelopes pardos nas mãos. Esperamos por quinze minutos até que uma secretária enfiasse todo mundo dentro de uma sala... E lá, esperamos por mais trinta minutos até que a recrutadora aparecesse. A mulher, muito elegante, apareceu. E iniciou a seleção.
- Bom dia. Chamo-me Cláudia, sou recrutadora da agência. (...) A vaga que vocês estão concorrendo é de auxiliar de escritório, e a empresa solicitante é a Free Airlines (...) O horário de trabalho é de 8 às 17h (...) O salário é R$790,00, com alguns benefícios...
Levei um susto quando ouvi o salário... 790 reais? Minha vontade era de ir embora. Mas permaneci só para ver no que ia dar.
- Gostaria que cada um de vocês se levantasse, e se apresentasse... Digam o nome, idade, experiência profissional e o porquê de merecerem a vaga... (...)
Uma a uma, as candidatas foram se apresentando. Algumas mais tímidas, falavam somente o necessário; outras mais desesperadas, tentavam demonstrar espontaneidade e empatia. Mas não conseguiam esconder o nervosismo. Fui uma das últimas a me apresentar:
- Meu nome é Clara... Tenho 19 anos. Sou paulista, vim para cá há alguns meses. Comecei a faculdade de Administração em São Paulo, mas parei no quarto período... Luto muito pra conseguir meus objetivos... Lá em São Paulo, trabalhei muito como vendedora em uma loja para conseguir pagar a faculdade e pretendo fazer o mesmo aqui! Mas preciso de uma chance... Espero que eu consiga esta vaga! É isso!
Depois de mim, outras garotas se apresentaram. No final das apresentações, a mulher se levantou da cadeira em que estava sentada.
- Bem, pessoal... Por hoje é isso. Agradeço a participação de vocês. Retornarei com uma resposta positiva ou negativa até sexta-feira!
Todas as garotas foram saindo da sala. Com certa dificuldade consegui sair também, junto com o aglomerado. Peguei o elevador com mais três garotas. As meninas conversavam, como amigas de longa data, apesar de terem se conhecido no local. Senti uma leve tristeza.
Como ainda eram dez horas da manhã, resolvi caminhar pelas ruas do Centro. Parei na Cinelândia, de frente ao Teatro Municipal, admirando os minuciosos ornatos das construções. Ao lado direito, os prédios da Biblioteca Nacional e Museu de Belas-Artes. Senti-me pequena e insignificante. “Se existe alguém arquitetando o meu futuro, gostaria de pedir-lhe para que me trace um bom caminho. Quero encostar minha cabeça no travesseiro, daqui a uns cinquenta anos, e perceber que tudo que estou passando teve algum sentido...”.
Quinze minutos depois, recebi uma ligação pelo celular. Era Cláudia, a recrutadora. Pediu para que eu retornasse na segunda, com documentos pessoais, para a admissão no novo emprego.

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