Longe de casa longe dos pais! Capitulo 14 - Amor e Saudade

Longe de casa longe dos pais! Capitulo 14

Escrito por Diana Polizzo | 614
Longe de casa longe dos pais! Capitulo 14


Junior, pega duas cervejas pra gente!
No segundo andar, o samba estava rolando... Sob baixa iluminação, um grupo de sambistas, em meio ao salão, tocavam para os clientes do bar, que cantavam e dançavam. O local estava cheio. Tivemos dificuldades em encontrar um espacinho para ficarmos.
Enquanto Junior pegava as cervejas (ele certamente demoraria só em chegar até o balcão), Ale me ensinava alguns passos de samba. Perdi minha inibição: O álcool, em alguns momentos, provoca sensações muito gostosas. Ao término da música, um dos sambistas iniciou uma música mais lenta. Alê me pegou pelo braço e me tomou junto ao seu corpo. Envolvi meus braços em sua nuca.
- Quem escreveu aquele bilhete? – disse Alê em meu ouvido.
- Não sei... – respondi. Surpreendi-me pela naturalidade de minha própria resposta. Estava dando satisfações de um acontecimento que só cabia à mim.
Continuamos à dançar, sem qualquer inibição. As pessoas nem sequer notavam a nossa presença. Estava em um transe: Nos braços de Alê, eu podia sentir o seu perfume, e o calor de seu pescoço desnudo. Novamente voltou-me a sensação de calor e excitação. Sentia-me estranha por dançar com outra garota, mas não queria que a dança terminasse. Senti, de leve, a contração de seus lábios em meu pescoço, e o passeio de suas mãos em minhas costas. Seus dedos entrelaçaram os meus cabelos. Então, conscientizei-me do que acontecia, e julguei que a situação estava fugindo do que era dito “normal” entre duas amigas. Ela afastou-se de mim, repentinamente.
- Júnior, achei que demoraria!
Percebi que Junior já havia chegado, e nos observava, com as latas de cerveja na mão. Sua expressão, sob a baixa iluminação, me provocou certo arrepio. Já não se parecia com aquele cara engraçado e gente boa de antes.
- Vou no banheiro... – disse aos dois.
Distanciei-me dos dois, rapidamente. Aos poucos, e, com dificuldade, percebia a situação estranha na qual me envolvia. Eu e Alê, trocando carinhos no mínimo suspeitos, enquanto o namorado dela nos observava, insatisfeito. Há poucos minutos atrás, éramos três grandes amigos, saindo dos limites da privacidade. O que estaria acontecendo? Caminhava no meio a multidão de pessoas felizes, alegres, alcoolizadas, desinibidas. O ambiente colorido, alegre e onírico, estranhamente, parecia se tornar medonho e assustador. Lembrei da minha casa e a proteção de meus pais.
“Não fizemos nada...! Só dançamos! O que tem de errado em duas amigas dançarem...?”
Estava me comportando feito uma idiota. Aquele medo que sentia não tinha fundamento. Achei melhor voltar, antes que nos perdêssemos no meio da multidão. No caminho de volta, me deparei com um homem alto em minha frente. Era moreno, atraente, parecia ter uns trinta anos e fumava um cigarro. Sorriu para mim.
- Seu nome é muito bonito... – disse, tragando um cigarro.
Continuaria o caminho sem dar atenção ao comentário. Porém, me intriguei com o fato de um desconhecido dizer que gostou do meu nome. Não me lembrava de ter conversado com ele.
- Como sabe meu nome?
Ele riu.
- Um passarinho me contou... Clara!
Continuei intrigada.
- Quer conversar? Vamos tomar alguma coisa? – ele propôs.
Continuei confusa. Lembrei-me de quando a mamãe dizia para não conversar com estranhos. Mas o caro era lindo, e parecia muito simpático. Fomos até o balcão do bar.

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