Longe de casa longe dos pais! Capitulo 13 - Amor e Saudade

Longe de casa longe dos pais! Capitulo 13

Escrito por Diana Polizzo | 594
Longe de casa longe dos pais! Capitulo 13



O barzinho era bem eclético. Tinha gente de todos os tipos: jovens, adultos, pessoas mais velhas, brancos, negros, orientais... A Lapa exalava juventude e liberdade... Cheia de luzes, cores e gente diferente – pobres, ricos, dividindo o mesmo espaço.

A decoração era característica, porém um pouco mais sofisticada. Na parte de baixo havia um enorme salão, com mesas e cadeiras de madeira. Na parte de cima rolava uma roda de samba, bem movimentada, por sinal. Podíamos ouvir os sons dos pandeiros, chorinhos e batuques. O ritmo contagiava.

Escolhemos uma mesa próxima à porta. De lá, era possível ver a movimentação de toda a rua. Pessoas modernas, despojadas e alternativas caminhavam de lá para cá, em busca do melhor “fervo”. A rua era tomada de bares, e era possível ver pessoas comendo e bebendo em uma mesa do outro lado da esquina... A noite estava maravilhosa.

Pedimos alguns petiscos e umas cervejas. Junior e Alê sentaram-se no mesmo lado da mesa, apesar de se falarem pouco. Eu sentei na parte oposta. Após alguns minutos, comecei a me sentir tonta... Não tinha o hábito de beber; qualquer dose, por menor que seja não demorava a fazer efeito.

Algumas horas mais tarde, um garçom, bem experiente, veio até a nossa mesa, recolher as tigelas e copos vazios. Tirou do bolso um pedaço de guardanapo e me entregou. Júnior não havia percebido; estava entretido com a sua grande tigela de caldo de camarão. Alê, entretanto, percebeu a ação. Pus o papel em meu colo, tentando distraí-los para que não fizessem comentários.

- E então, Junior, você trabalha com o que? – a única pergunta que me veio à cabeça.

Júnior levantou a cabeça, interrompendo sua deliciosa experiência gustativa.

- Eu? Sou design gráfico... Trabalho em uma empresa de mídias...! – Ele me olhava de forma curiosa. - Por que quer saber?

- Sei lá, você nunca falou nada sobre suas atividades...

- Bem, trabalhar com design gráfico não é tão fácil quanto as pessoas pensam... Primeiro eu recebo uma prévia do que o cliente quer, então elaboro uma (...)

Enquanto Junior falava, abri o guardanapo que o garçom havia entregado. Na parte interna, uma mensagem, escrita com caneta preta.

“De longe, admirando sua beleza”

Senti aflição. Olhei para Alê. Tinha a sensação que ela estava lendo meus pensamentos. Tomei mais alguns goles da cerveja.

- Vamos pra roda de samba lá em cima? – Sugeriu Alê, interrompendo Júnior.

- Mas eu nem terminei de tomar minha sopa!

- Deixa essa sopa pra lá... Quero mostrar pra essa paulista branquela como se samba de verdade...! – disse, referindo-se a mim.

Levantamos da mesa, atravessamos o salão e subimos as escadas. Enquanto cruzávamos a multidão de pessoas dispostas em suas mesas, tentava descobrir quem poderia ser o engraçadinho que me mandara aquele bilhete.

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