Longe de casa longe dos pais! Capitulo 12 - Amor e Saudade

Longe de casa longe dos pais! Capitulo 12

Escrito por Diana Polizzo | 478
Longe de casa longe dos pais! Capitulo 12

Eram 21 horas quando ouvimos a buzina de um carro, estacionado em frente ao nosso prédio. Saímos do apartamento.

Alê apagou as luzes e trancou a porta, guardando as chaves embaixo do tapete.
Descemos pela escada. Os andares estavam escuros, por isso, segurávamos no corrimão para não escorregar com os sapatos de salto. Chegamos ao térreo. Na portaria, vi a silhueta de um indivíduo no interior do veículo estacionado. Júnior estava a nossa espera.
Os vidros de carro se abaixaram.
- Quem é essa mina do teu lado, Alessandra?- perguntou Júnior, referindo-se a mim.
Alê, sem paciência, respondeu de forma ríspida.
- É a minha vó!
- Clara? É você mesmo?
Senti certa timidez. Alê abriu a porta traseira para que eu entrasse. Travou a porta e seguiu no banco do carona, colocando o cinto de segurança. Percebi que Júnior me observava através do retrovisor.
- Quantos caras vai pegar hoje? – perguntou, novamente.
- Junior, deixa de ser chato! – Alê reclamou.
Ele ligou o carro e deu partida. Seguimos pela rua escura e pouco movimentada.
- E então, pra onde nós vamos? – perguntei.
- Para um barzinho na Lapa... Tem roda de samba e pagode... Você vai gostar! – disse Alê, ligando o som do rádio. Depois de alguns minutos, conseguiu sintonizá-lo em uma estação. Ficamos todos em silêncio.

Apoiei minha cabeça no encosto do banco traseiro. Do lado de fora do carro, as fachadas das lojas passavam rapidamente, assim como as minúsculas pessoas que transitavam pela calçada. Em sua maioria, trabalhadores voltando para suas casas, moradores de rua, dependentes químicos e prostitutas. Uma transição de “gente do bem” com a “gente do mal”. Igualzinho à Sampa.
Ao longe, era possível avistar uma explosão de pontos de luz em meio à escuridão, como um grande presépio. Junior seguia pela linha amarela, próximo ao Complexo do Alemão. Um ventinho frio e gostoso entrava pela janela do carro, provocando uma sensação de borboletas no estômago. Talvez alguma coisa boa estaria por vir.

Júnior e Alê continuavam em silêncio, como dois desconhecidos. Pela primeira vez sentia que, indiretamente, estava interferindo no relacionamento dos dois. Junior parecia amar Alê, mas ela não demonstrava o mesmo amor por ele. Nos últimos dias as conversas entre os dois tinham ficado cada vez mais mecânicas, e Junior, cada vez mais quieto e pensativo. Estava certa que, aquela ida à Lapa era um esforço conjunto dos dois só para me agradar.

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